Eventos traumatizantes, exigências laborais, situações opressivas. Muitas são as possibilidades para caracterizar as opressões do ambiente sobre a pessoa. As exigências da vida em sociedade por si só já imprimem um constante “mal-estar na civilização”. Por mais que o Eu tente se adaptar às pressões e enfrentar os desafios, a busca incessante ao encontro de atarefar-se com demandas externas pode se expressar em diversos males físicos ou empurrar o indivíduo para o esgotamento, talvez uma “Síndrome de Burnout”, um ponto de ruptura no qual as últimas defesas psíquicas falham em defender a integridade do sujeito.
Se você chegou a ler esse texto buscando identificar nele algum elemento de sua situação pessoal, você sabe que está vivenciando algo maior do que apenas uma condição estressora da qual o distanciamento representaria resolução óbvia e eficaz. Você está se deparando com uma constatação filosófica sobre sua realidade: que sua própria experiência subjetiva é condicionada pela maneira como você interage com o ambiente, que você “se mete” em situações que não desejaria se meter, que você “atrai” o mesmo tipo de pessoa que lhe machuca de uma forma similar; que você tropeça em lugares nos quais já se viu tropeçando no passado.
O peso que precisamos carregar para dar conta de superar os diversos obstáculos contrários a nossa existência já são grandes o bastante para se ter de lidar. Tenha certeza de conseguir avaliar se além dessas forças, seu estresse não pode estar sendo ainda maior em função de sua própria maneira de lidar com a realidade, da própria ótica de seus olhos, ou da própria maneira de oferecer-se para o mundo.